Antônio Elias pede mais vagas nos presídios
por Ulisses Aesse, Diário da Manhã.

O comandante-geral da Polícia Militar, Carlos Antônio Elias, fez uma avaliação a esta coluna sobre a atual situação dos reeducandos do regime semiaberto no Brasil.
A população anda meio assustada com casos como o do foragido do regime semiaberto, Kaiser Murilo Lucas, que manteve sua ex-mulher refém por 9 horas, além de ter praticado violência contra outras pessoas.
Segundo o comandante, a abordagem do problema pelas autoridades está um tanto quanto equivocada e precisa ser aprofundada. Existem cerca de 500 mil presos no País e outros 700 mil estão com mandado de prisão em aberto. Os presídios estão superlotados, e os critérios para migrar ao regime semiaberto são muito brandos.
O comandante sugere enfrentar o problema pelo seguinte princípio: criar um número de vagas suficientes na cadeia para atender a demanda. Só então será possível cortar o mal pela raiz.
— Países como os Estados Unidos perceberam isso. Os norte-americanos fizeram programas intensos para aumentar o número de vagas nos presídios. Só então conseguiram reduzir os índices de criminalidade — enfatiza Antônio Elias.
Mesmo com as dificuldades, a polícia tem feito sua parte. No mês de dezembro de 2008, eram recuperados, em média, quatro presos por dia. Neste mês, o número subiu para dez fugitivos que retornam para as celas todos os dias. Para este repórter, o único problema é um certo descompasso entre o sistema repressivo, no caso, a polícia, e o sistema Judiciário, que coloca nas ruas o que a polícia prendeu.
Esse descompasso é prejudicial para a população civil. Primeiro, porque a polícia, por estar permanentemente armada, tem sua proteção. Segundo, porque membros do Poder Judiciário têm a prerrogativa e o privilégio (se quiserem) de andar armados ou protegidos pela força policial. Quem sofre mesmo é o pobre cidadão comum. Sem segurança e, às vezes, sem Justiça.



