Marcos Coelho
Da Editoria de Cidades
Os dois primeiros meses de 2009 já registram o menor número de homicídios dos últimos quatro anos na Capital. Comparados a 2008, os dados da Delegacia Estadual de Investigação de Homicídios (Deih) indicam ainda redução de 40,96% de assassinatos. Só em fevereiro, 50% de mortes a menos foram computadas. Foram 15 assassinatos contra 30 no mesmo período do ano passado. A Operação Legalidade, deflagrada pela Polícia Militar em janeiro, que fechou mais de 2 mil bares em Goiás, é apontada pelas autoridades em Segurança Pública como um dos principais fatores responsáveis pelos números positivos.
Se a média de 0,8 mortes/dia continuar, a estimativa é que 2009 registre 298 homicídios. Mas o secretário estadual de Segurança Pública, Ernesto Roller, garante que a tendência é que nos próximos meses os assassinatos reduzam ainda mais. Ele pontua que a ordem desde que assumiu o cargo é lutar intensamente contra a criminalidade. Para o secretário, a redução está ligada a uma série de fatores, como investimentos, preparação e capacitação dos policiais e aumento de efetivo, e não há ações isoladas.
Dos mais de 700 bares fechados só na Capital, de acordo com a Junta Comercial de Goiás (Juceg), 271 estabelecimentos já conseguiram regularizar a situação. Roller diz acreditar que a Operação Legalidade foi um dos passos positivos e uma das principais ações já implementadas pela polícia goiana nos últimos anos e que ela deve ser contínua e acompanhada de outras ações. O secretário destaca o trabalho conjunto das polícias Militar e Civil como outro fator importante. “A conquista faz parte de um conjunto e do empenho de todos.”
Para o futuro, Roller não revela, mas afirma que está planejando novas ações para combater o crime no Estado. “Temos novos planos e projetos firmados. No entanto, não posso divulgá-los agora.”
Comandante-geral da Polícia Militar em Goiás, coronel Carlos Antônio Elias diz que a Operação Legalidade é o ponto alto da redução não só dos homicídios como também de outros crimes. Ele informa que diminuíram em até 40% as chamadas no Centro de Operações da Polícia Militar (Copom). “Nos descontaminamos a cidade e o Estado e vamos manter assim, com políticas efetivas e participativas”, afirma.
Cenário desafoga delegacia
A delegada Adriana Ribeiro, da Delegacia Estadual de Investigações de Homicídios, diz que os números são positivos e, de certa forma, acabam desafogando os trabalhos na unidade. Para ela, a redução se deve a três fatores: a lei seca, que reduz a euforia de muitos que acabavam cometendo um crime alcoolizados; a Operação Legalidade, que fechou muitos bares onde se concentrava a criminalidade; e, principalmente, a resolução dos casos pela Polícia Civil.
A socióloga Dalva Borges, professora de Ciências Sociais da UFG, pontua que os números são positivos, mas que ainda é cedo para comemorar. A promotora do Centro Operacional Criminal, Alice Almeida Barcelos, ressalta que os números são bem-vindos, uma vez que a sociedade necessitava de uma resposta imediata.



