Diário da Manhã | 01 de Março de 2009 | Edição nº 7784
Marcos Coelho
Da Editoria de Cidades
Novas diretrizes começam, nesta semana, a ser implantadas na área administrativa e operacional da Polícia Militar do Estado de Goiás. A informação é do comandante-geral da corporação, coronel Carlos Antônio Elias. Entre as primeiras medidas que já entram em vigor, está o projeto Polícia Comunitária. O comandante afirma que o programa sai do papel e passa a ser executado de forma efetiva em Goiânia e no Estado. O intuito é garantir um policiamento menos militar e mais cidadão.
Elias informa que a PM precisa estar mais próxima da comunidade e entender a realidade de cada cidade e setor. A determinação é de que todos os oficiais de cada comando sejam responsáveis pela implantação do programa na região em que trabalha. Para garantir a aproximação, os policiais deverão fazer visitas domiciliares e solidárias diariamente, conversar sempre com os comerciantes e manter uma relação de cidadania com a população. “Quero uma polícia menos bélica e mais cidadã.”
O programa Polícia Comunitária existe em Goiás há sete anos. Para o comandante, até hoje, essa ideia estava muito vaga, e, por isso, haverá esta mudança radical na implantação do projeto para que saia do papel e atenda principalmente os interesses da comunidade. Ele explica que é mais um passo que a PM dá para garantir o conforto da sociedade. Cita a Operação Legalidade, que teve aprovação popular e reduziu o número de assassinatos no Estado. “Estamos apostando na interação com a sociedade”, afirma.
MUDANÇA
Outra mudança que acontece na postura da PM está relacionada à produção dos policiais e ao direcionamento do trabalho preventivo. O comandante informa que está sendo implantado o programa Diário da Viatura, que irá direcionar os trabalhos dos policiais que estiverem de plantão.
Ao iniciar o serviço, os soldados de uma guarnição terão que cumprir uma meta de atividades pré-determinadas pelo superior. Entre as determinações, estarão a quantidade e os locais que devem ser visitados e quantas pessoas devem ser abordadas. “Não basta ser apenas espantalho. A polícia tem que mostrar serviço diário e ser proativa.” Além do boletim de ocorrência, os soldados deverão entregar, no final da jornada, um relatório de produção, que deve constar os locais visitados e os quilômetros rodados pela viatura.
O comandante Elias diz que deve ser implantado um sistema informatizado em cada viatura, com laptop, para informação dos dados de ocorrências e trabalhos em tempo real. “Antes a única obrigação, depois do trabalho, era entregar a viatura limpa. Nós queremos saber, de perto, o que os policiais estão produzindo. Será um grande avanço para a polícia goiana.”
Com os relatórios, será possível saber onde está concentrada a criminalidade. Destaca que, no final de cada mês e ano, será possível dizer quais foram os passos da polícia e avaliar onde estão os problemas. Outras medidas operacionais e administrativas devem ser anunciadas nesta semana. O coronel Sérgio Katayama, chefe de Comunicação da PM, destaca que o comando-geral aposta no policiamento comunitário como estratégia para atender as necessidades de todos os cidadãos. E a setorização da polícia deve ser a primeira medida na efetivação do programa.
Melhor forma de segurança
O secretário estadual de Segurança Pública, Ernesto Roller, pontua que o policiamento comunitário é a melhor forma de garantir a segurança na sociedade atual. Ele destaca que segurança não se faz só com armas e policiais, mas também com uma interação com o cidadão. “A sociedade precisa participar do processo.”
Roller afirma que a Campanha da Fraternidade, lançada pela Igreja Católica, que tem a segurança pública como tema, veio em ótimo momento para ampliar a discussão com o segmento religioso. “É uma campanha excepcional. Veio em boa hora e fortalece a ideia entre cidadão e segurança.” O secretário afirma que a segurança em Goiás está em um bom momento. A criminalidade foi reduzida após a Operação Legalidade e outras ações. Assegura que os policiais continuarão fazendo o trabalho preventivo.




#1 by Petra on abril 25th, 2009
Quote
Quero parabenizá-lo por atualizar a Polícia Comunitária. Faço algumas colocações mediante análise sobre o comportamento dos militares quanto às abordagens aos cidadãos, as escolas e demais entidades públicas e privadas. A minha análise se prende ao perfil do policial no que diz respeito a essas ações:
• Todos os militares são treinados e conscientizados como agir na luta contra bandidos e demais criminosos. Ora, não podemos pegar os mesmos militares e colocá-los numa ação social, ou seja, “PM Preventiva”, pois, todo treinamento e investimento realizados com sacrifícios, no longo percurso de capacitação, seriam jogados fora. Na verdade, seria uma ação inútil diante da cultura e o clima militar adquirido pelo policial em sua árdua carreira.
• Para não desviar o militar de suas funções específicas constitucionais, bem como não mudando o seu perfil quanto à segurança proporcionado a população na luta contra a bandidagem, seria de bom senso que adotasse a Policial Militar (feminina) no comando dessas ações sociais e a mesclasse com o Policial Militar (masculino) com novo perfil de preparação psicossocial e comportamental de ambos. Seria no caso uma Unidade da “PM PREVENTIVA” com novos militares recém chegados com formação acadêmica adequada ao social. Torna-se evidente que haverá um suporte tecnológico bélico à distância pronto para agir contra as abordagens contingenciais que perturbem a ação do programa ou ponha em perigo a integridade física dos militares em ação comunitária familiar.
• Outros programas poderiam ser agregados à “PM PREVENTIVA” como o clube dos idosos e da Juventude, que poderiam usar as dependências dos Clubes da Polícia Militar como ação integradora da sociedade. Seriam ações pontuais que fizesse com que a “PM PREVENTIVA” obtivesse a AMPLIFICAÇÃO de suas ações sociais familiares na imprensa como divulgação do programa e de sua própria imagem. Outro programa que poderia dar certo é a “PM INTINERANTE” levado às mesmas comunidades assistidas pelo programa “PM PREVENTIVA”, os serviços sociais de prevenção de uso de narcóticos, cuidados com a segurança de bens patrimoniais, serviços médicos e odontológicos, demonstração dos cães do canil da PM, esporte da juventude, clube dos idosos (em parceria com a Associação da Terceira Idade) e demais outras idéias, em parceria com entidades públicas e privadas, bem como envolvendo o Senai, Senac, Sebrae e Universidades. É claro, não poderia deixar de confeccionar as Carteiras de Identidade para os clientes do programa. Numa primeira etapa o modelo seria “piloto” para ajustes e correções de desvios.
• Outra faceta a ser adotada seria a “PM EDUCATIVA”, ou seja, integração da Polícia Militar com o Ministério Público mediante palestras e cursos de integração “Promotor/Oficial Militar”, com o fito de usarem as mesmas linguagens com as ações sempre legais, quer queira ou não a sociedade organizada. Outra coisa que o Comando da Polícia Militar também poderia adotar seria a formação acadêmica à distância de seus militares, pondo a serviço deles o ensino superior, que hoje é exigência para galgar o oficializado.
Por fim, nada disso adianta se a PM não adentre ao mundo da modernidade, ao mundo das transformações céleres, ao mundo da percepção: O mundo de hoje é o mundo de ontem… Já se foi, não tem mais volta.
Quero salientar que entrei no seu “blog” por acaso, estava mesmo buscando (pesquisa na web) uns dados para enriquecer o meu trabalho profissional na área da justiça organizacional. Estou noutro Estado do país e me orgulho de ver uma Polícia Militar ocupando todos os espaços propícios da era das transformações da sociedade.