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Comandante-geral da PM, Carlos Antônio Elias: “Precisamos do apoio e da compreensão de todos”

Marcos Coelho
Da Editoria de Cidades
Diário da Manhã, 20 de Janeiro de 2009 | Edição nº 7744

Cai em 61% a criminalidade em Goiânia e região metropolitana após quatro dias da Operação Legalidade da PM. O balanço divulgado na manhã de ontem contabilizou mais de 1,2 mil locais fechados dos mais de 2 mil vistoriados em Goiânia, Aparecida e Anápolis, entre quinta-feira (15) e domingo (18). Na Capital, foram 720 estabelecimentos. Ações são consideradas de rotina pelo comandante-geral da PM, coronel Carlos Antônio Elias. A Justiça, por meio de liminar, autorizou ontem a reabertura de quatro estabelecimentos, entre eles, a Boate Santa Fé Hall.

De acordo com números divulgados pela Seção de Estatística e Análise Criminal da Secretaria de Segurança Pública (SSP), houve um homicídio no último final de semana, entre os dias 16 e 18 de janeiro. Já no anterior, de 9 a 11, foram registrados três. A quantidade de roubo a pessoas também diminuiu, de 23 para nenhum. O mesmo aconteceu com furto a pessoas, que era de cinco e caiu para zero.

O comércio também ficou livre da ação criminosa entre os dias 16 e 18. No final de semana anterior (9 a 11), foram registrados 18 furtos a estabelecimentos comerciais. Segundo dados da SSP, nenhuma residência foi roubada ou furtada entre a última sexta-feira (16) e o domingo (18). Antes, o número era de três roubos e 17 furtos. Outra realidade constatada pela Seção de Estatística e Análise Criminal foi que, de 18 veículos furtados entre 9 e 11 de janeiro, a quantidade caiu para 11.

Coronel Carlos Antônio Elias, comandante-geral da PM, afirmou que a operação só traz benefícios para a população e que o incentivo da Prefeitura de Goiânia tem sido positivo. “Precisamos do apoio e da compreensão de todos. No primeiro dia, a operação já foi satisfatória. A PM não discrimina nenhum comerciante; quem estiver irregular será fechado”, afirma.

Secretário de Segurança Pública (SSP), Ernesto Roller também considera importante o apoio da prefeitura e comemora a redução da criminalidade ao analisar os números do último fim de semana. Presidente da Associação Comercial e Industrial do Estado de Goiás (Acieg), Pedro Bittar disse que é “integralmente” a favor da operação. Para ele, é uma iniciativa privada contra a informalidade do comércio em Goiânia. “Foi pontual e benéfica para o comércio. É um incentivo à formalidade.”
Disse também que a Acieg irá acompanhar de perto a operação para que ninguém seja tratado com injustiça. Afirma que é importante que os comerciantes busquem a formalidade e entrem na luta contra a alta carga tributária.

Justiça autoriza reabertura da Boate Santa Fé Hall

A Justiça, por meio de liminar assinada pelo juiz Carlos E lias da Silva, autorizou a reabertura de quatro estabelecimentos, entre eles, a Boate Santa Fé Hall, onde briga resultou na morte do universitário Higor Esteves, 23, no último dia 11. Também foram reabertos o Bar Parrila e o Clube 3ª Idade. O juiz entendeu que o fechamento poderia ocasionar graves prejuízos aos proprietários.

No caso da Boate Santa Fé Hall, o advogado da casa, Rafael Amparo, argumenta, no pedido de mandato de segurança, que o fechamento do local pela Polícia Militar é ilegal, pois é dever da prefeitura autuar e fechar estabelecimentos. “O impedimento decorre unicamente da má-vontade que impede a função da propriedade, ingerência e lentidão das repartições públicas”, alega. Rafael disse que a Santa Fé Hall já havia dado entrada na documentação, quando a operação foi divulgada pelo DM, um dia antes de começar a ação nos bares.

entrevista – Neyde aparecida

“Nunca fui contra a operação”

Titular da Secretaria Municipal do Desenvolvimento Econômico (Sedem), Neyde Aparecida da Silva, em entrevista ao DM, na tarde de ontem, afirmou não ser contra a “Operação Legalidade” da Polícia Militar (PM), que, desde a semana passada, já fechou 720 bares em Goiânia por falta de alvará de funcionamento. “É uma ação de segurança pública contra a criminalidade, a população clama por isso”, diz a pedagoga.
Ela informa que 13 mil estabelecimentos foram notificados pela Sedem em 2008, e mais de 2,5 mil foram autuados por falta de documentação.

Diário da Manhã – Como você observa a ação da PM no fechamento de bares e restaurantes?
Neyde Aparecida – É uma questão de Segurança Pública, a qual requer uma ação ostensiva da PM no combate à criminalidade nos bares da cidade. A sociedade exigia isso.

DM – Então, agora você é a favor?
Neyde – Nunca fui contra. A segurança é um clamor da população. A polícia está fazendo sua parte, fechando bares onde há histórico de criminalidade, esse é o objetivo e é assim que foi combinado. Fechar ambientes ilegais que têm registro de crimes, como venda de bebidas alcoólicas para menores.

DM – Mas todos os bares sem alvará serão fechados?
Neyde – Pontos onde há problemas de criminalidade estão sendo fechados. O levantamento e a demarcação dos locais são tarefas da PM; eles que cadastraram, e não tenho conhecimento dos critérios usados.

DM – A ação da Polícia Militar não é uma forma de responder à falta de fiscalização da prefeitura?
Neyde – Não, pois a Sedem vem cumprindo o seu papel. No ano passado, notificamos 13 mil estabelecimentos, e mais de 2,5 mil foram autuados por falta de documentação.

DM – Então, por que a ação da polícia no fechamento?
Neyde – Como disse, visa reduzir a criminalidade.

DM – A Sedem tem quantos funcionários para atuar na fiscalização?

Neyde – Atualmente contamos com 102 fiscais, que trabalham diuturnamente.

DM – Qual o critério para liberação de alvará?

Neyde – A Sedem só libera o alvará se o comércio tiver autorização da Agência Municipal de Meio Ambiente, Vigilância Sanitária, Secretaria de Planejamento e Agência Municipal de Trânsito. Todos os critérios devem ser avaliados. Por isso que a liberação do alvará pode demorar a ser expedida. Não depende só da Sedem.